Um número crescente de estudantes que ingressam no ensino superior no Reino Unido fá-lo com uma ou mais deficiências. De acordo com o HEFCE, em 2016/2017, o número de estudantes com deficiência reconhecida que ingressaram num curso de licenciatura a tempo inteiro foi 56% superior ao registado em 2010/2011. Estas deficiências podem variar desde a dislexia e o TDAH até à cegueira ou a deficiências auditivas ou motoras. E o número poderá ser ainda mais elevado, uma vez que mais de 80% dos estudantes com deficiência no ensino superior poderão não ter revelado essa informação ao matricularem-se na sua instituição de ensino.
A disponibilização de recursos de acessibilidade tem sido, há vários anos, uma obrigação legal sob uma forma ou outra. Desde 2006, foi oficializada pela ONU na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, sendo que o Artigo 9.º descreve as precauções de acessibilidade necessárias por parte das instituições nos Estados Partes.
No entanto, à medida que aumenta o número de estudantes cujas deficiências afetam o seu processo de aprendizagem, torna-se mais evidente a necessidade de proporcionar melhores recursos de acessibilidade no ensino superior. Ao criar e apoiar um ambiente de aprendizagem acessível, as instituições de ensino superior podem eliminar muitas das barreiras existentes no ensino superior para os estudantes com deficiência e proporcionar-lhes as mesmas oportunidades que aos estudantes sem deficiência.
Muitas instituições de ensino têm várias medidas de apoio preparadas para ajudar estes estudantes. Os primeiros recursos de acessibilidade eram físicos, tais como rampas para cadeiras de rodas, acesso por elevador aos andares superiores, casas de banho acessíveis a cadeiras de rodas e orientações táteis, como letras em relevo e/ou Braille. Ultimamente, porém, a tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais importante em tornar o ensino superior mais acessível a estudantes com diferentes deficiências. Por exemplo, os livros didáticos estão cada vez mais disponíveis como e-books, onde o texto é um objeto mutável, personalizável de acordo com as necessidades dos leitores. Desta forma, os estudantes com deficiência visual podem alterar os contrastes e aumentar o tamanho da fonte até ao ponto em que consigam ler o texto sem dificuldades. Para os alunos com deficiência auditiva, os vídeos podem ser legendados automaticamente por software de leitura labial. Os alunos disléxicos, cuja dislexia se pode manifestar de muitas formas, podem, por exemplo, utilizar corretores ortográficos se tiverem dificuldade em escrever, recorrer a software de conversão de texto em voz para que o texto lhes seja lido em voz alta e até utilizar software de reconhecimento de voz para expressarem as suas ideias em voz alta e que o computador as transcreva.
OS LIMITES DA ACESSIBILIDADE NOS EXAMES TRADICIONAIS
Embora os recursos de acessibilidade digital sejam cada vez mais utilizados no ensino, os avanços tecnológicos nos exames são menos prevalentes no que diz respeito às funcionalidades de acessibilidade. Muitas vezes, estas limitações surgem naturalmente porque uma instituição de ensino tem o formato dos seus exames vinculado ao papel. Isto torna, por natureza, impraticável a utilização dos recursos digitais habituais dos estudantes com deficiência nas suas situações de exame.
As instituições de ensino podem estabelecer diretrizes para toda a instituição sobre como formatar as provas em papel, de modo a que os estudantes com dificuldades de leitura não recebam provas com letras pequenas, formatação em cursivo, texto colorido a transmitir informações vitais ou tipos de letra específicos, que lhes dificultam o processamento da informação na página. Embora esta seja uma prática sensata que presta atenção às necessidades específicas destes estudantes, é limitada no seu alcance e pode ser uma tarefa que exige muitos recursos para ser aplicada de forma consistente.
Outra consideração típica é conceder tempo adicional aos alunos com dificuldades de leitura para concluírem os seus exames, mas, muitas vezes, é só isso. Embora existam outras possibilidades para aumentar a acessibilidade no formato tradicional de exame, estas são frequentemente desanimadoramente dispendiosas, uma vez que exigem, muitas vezes, a reprodução de materiais de exame em quantidades limitadas e em formatos diferentes.
Com uma parte cada vez maior do corpo discente a apresentar uma ou mais deficiências que afetam a sua aprendizagem, existe uma necessidade igualmente crescente de alargar as possibilidades no âmbito da acessibilidade no ensino superior. Parece que o formato tradicional de exame requer um repensar para acomodar estas necessidades.
UMA PLATAFORMA DE EXAMES COM FUNCIONALIDADES DE ACESSIBILIDADE DIGITAL
Uma forma de facilitar a incorporação de funcionalidades de acessibilidade digital nos exames consiste em digitalizar todo o processo de exame. Ao tornar digital a base dos exames e avaliações no contexto do ensino superior, está a criar uma plataforma para um vasto leque de iniciativas, ferramentas e métodos digitais destinados a melhorar a acessibilidade para os estudantes com deficiência em situações de exame.
Os estudantes com dislexia ou deficiências visuais graves podem — tal como acontece com os livros eletrónicos nos seus estudos — personalizar os tipos de letra e tamanhos de letra, etc., para adaptar a sua experiência de exame. No caso de uma deficiência grave, o software de conversão de texto em voz pode ler as perguntas em voz alta aos alunos, proporcionando-lhes acesso independente ao material de exame sem a necessidade de pedir ajuda. Assim, em essência, disponibilizar exames e avaliações digitais para alunos com deficiência significa dar-lhes acesso aos recursos e ferramentas de acessibilidade que utilizam diariamente durante as suas experiências de aprendizagem.
Uma das vantagens dos exames digitais reside também no simples facto de os estudantes não terem de escrever à mão. Muitas vezes, a dislexia ocorre em conjunto com a disgrafia, o que significa que os estudantes – entre outras coisas – têm dificuldade em escrever à mão. Demoram mais tempo e a sua caligrafia é difícil de decifrar, o que pode ter um impacto negativo nas suas hipóteses de sucesso nos exames.
Vários estudos revelam uma tendência de que «perante variações na qualidade e legibilidade da caligrafia dos estudantes, os professores permitem que fatores alheios ao conteúdo da escrita influenciem a sua capacidade de avaliar os trabalhos de forma imparcial». Ao permitir que os estudantes utilizem um computador, estes conseguem escrever muito mais rapidamente e não têm de redigir primeiro um rascunho, o que permite aos estudantes com disgrafia dedicar mais tempo ao conteúdo dos seus exames, em vez de à forma.
Embora alterar todo o procedimento de exame para acomodar uma minoria do corpo discente possa parecer precipitado aos ouvidos de alguns, os alunos com deficiência não são os únicos que podem beneficiar de tal mudança. Uma plataforma de exames digitais pode trazer uma vasta gama de benefícios gerais para todos os alunos – e também para o pessoal e o corpo docente.
POR ONDE COMEÇAR A ACESSIBILIDADE DIGITAL: WCAG 2.0
Embora tudo isto seja muito positivo, a acessibilidade digital pode ser um tema difícil de abordar se for, em grande parte, uma área nova a explorar. Um ponto de partida, caso esteja à procura de fornecedores de tecnologia de apoio para o setor educativo, é consultar a norma WCAG 2.0 e as empresas que a cumprem.
A WCAG 2.0 (Web Content Accessibility Guidelines) é uma norma técnica que define como habilitar e fornecer conteúdos e funcionalidades acessíveis num ambiente digital, com critérios verificáveis. É emitida e mantida pelo W3C «com o objetivo de fornecer uma norma única e partilhada para a acessibilidade de conteúdos web que satisfaça as necessidades de indivíduos, organizações e governos a nível internacional».
Para obter orientações gerais sobre como disponibilizar melhores funcionalidades de acessibilidade na sua instituição de ensino, a Home Office Digital criou cartazes com diretrizes fáceis de seguir para perturbações específicas. Pode encontrá-los aqui, e estão disponibilizados sob uma licença Creative Commons, o que significa que é livre de os utilizar, partilhar e desenvolver, desde que mantenha as atribuições e não os utilize para fins comerciais.
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PERGUNTAS FREQUENTES
A cada ano que passa, mais estudantes com deficiência ingressam no ensino superior, muitos dos quais não revelam as suas deficiências. Ambientes de aprendizagem e avaliação acessíveis garantem que estes estudantes tenham oportunidades iguais de sucesso.
Os estudantes podem apresentar uma vasta gama de deficiências, incluindo dislexia, TDAH, deficiência visual ou auditiva e dificuldades motoras. Estas podem afetar a leitura, a escrita, o processamento de informação ou a realização física de exames.
Os exames em papel restringem a utilização de tecnologias de apoio, tais como conversão de texto em voz, leitores de ecrã ou personalização de tipos de letra. A disponibilização de formatos alternativos é frequentemente dispendiosa em termos de recursos, onerosa e difícil de implementar de forma consistente em grande escala.
Os exames digitais permitem que os estudantes utilizem as ferramentas de acessibilidade de que já dependem durante a aprendizagem, tais como tipos de letra ajustáveis, conversão de texto em voz, corretores ortográficos e reconhecimento de voz. Isto cria uma experiência de exame mais inclusiva e independente.
Sim. Funcionalidades como respostas digitadas, melhor legibilidade e layouts mais claros beneficiam não só os estudantes com deficiência, mas também aumentam o conforto, a eficiência e a equidade para o conjunto da população estudantil.
Um bom ponto de partida são as WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), que fornecem uma norma técnica reconhecida para a criação de conteúdos e serviços digitais acessíveis. As instituições devem também procurar fornecedores que demonstrem conformidade com estas diretrizes.